Artigos Técnicos
ALIMENTAÇAO DIFERENCIADA DO TERNEIRO AO PÉ DA MAE
Bavera, G. A. e C. H. Peñafort 2006
Cursos de produção bovina de carne, FAV UNRC
A alimentação diferenciada do terneiro ao pé da mãe permite combinar uma melhor utilização dos recursos forrageiros (alta carga animal), um apropriado manejo da vaca (melhor fertilidade) e, um máximo aproveitamento do potencial genético do terneiro (alto índice de crescimento e bom peso ao desmame).
Existem dois sistemas para obter estes objetivos com a alimentação diferenciada ao pé da vaca. O primeiro é a suplementação do terneiro ao pé da mãe ou Creep-Feeding, que é a suplementação energética-protêica administrada ao terneiro conjuntamente com o leite da mãe e a pastagem do nascimento ao desmame, não tendo acesso a vaca a esta suplementação.
O segundo sistema é o pastoreio diferencial ou Creep-Grazing, que permite ao terneiro ao pé da mãe pastorear forragens com alto valor nutritivo, não tendo acesso a mãe.
OPORTUNIDADE DE EMPREGO
A alimentação diferenciada do terneiro ao pé da mãe é empregada quando se deseja obter um ou mais dos seguintes efeitos:
- Aumentar a produção de carne/Há mediante o incremento do número de ventres, sem afetar negativamente a fertilidade das vacas e a taxa de aumento de peso dos terneiros ao desmame.
- Melhorar a condição corporal das vacas em situações de emergência por seca, serviço de inverno ou outras causas, já que pelo custo, seria impossível suplementar o rodeio de vacas e, simultaneamente, assegurar um bom desenvolvimento do terneiro.
- Obter terneiros para venda com destino ao abate como terneiro gordo, frente a terneiros de invernada, quando a capacidade leiteira das vacas e/ou a forragem disponível são insuficientes.
- Promover um melhor desenvolvimento ao desmame das terneiras para realização de serviço aos 15 meses.
- Melhorar a porcentagem de prenhes ao segundo serviço de vacas de primeira parição com terneiro ao pé.
- Uniformizar o estado dos terneiros ao desmame.
- Melhorar o desenvolvimento dos terneiros selecionados para touros sem ter que recorrer ao manejo mais complicado das cabanhas.
- Em tambos que criam terneiros com vacas amas de raças de carne, melhorar o estado nutricional de terneiros e vacas.
- Evitar a diminuição de peso ao desmame cujas mães se encontram em inseminação artificial e, também no sistema de alimentação ao pé da mãe.
- Acostumar o terneiro a comer ração quando se faz desmame precoce ou adiantado.
- Transformar em carne alimentos disponíveis no campo, se por questões de mercado ou outras, não convém vender-los.
Em situações de abundante pasto de qualidade e, com vacas de cria de boa produção leiteira e adequada condição corporal, a alimentação diferenciada do terneiro ao pé da mãe não apresenta resposta no ganho de peso do mesmo, já que se produzira somente um efeito de substituição. Como regra pratica, podem-se esperar respostas quando os aumentos diários em terneiros sem alimentação diferenciada são inferiores 750 g/dia.
Em terneiros de raças puras de carne, com a alimentação diferenciada ao pé da mãe podem obter-se aumentos diários de peso na ordem de 900 g/dia e maiores em terneiros cruzas.
Quando se administra uma quantidade restringida de ração / pastagem ou seu teor protéico é insuficiente, é possível que somente se produza uma substituição parcial de pasto e leite por ração ou pela pastagem, sem melhorar os aumentos diários do terneiro. Neste caso a única beneficiada é a vaca.
Não se aconselha suplementar com o único objetivo de obter elevados engordes nos terneiros que logo serão recriados e invernados a campo pelo mesmo proprietário, já que se perde o efeito do crescimento compensatório, e sim é aconselhável se vão engordar rapidamente, já que os terneiros que recebem esta alimentação diferenciada são terminados para o mercado em menor tempo.
SUPLEMENTAÇAO DO TERNEIRO AO PÉ DA MAE
QUALIDADE DO SUPLEMENTO – A suplementação administrada deve conter os nutrientes necessários para satisfazer os requerimentos dos terneiros em energia, proteína e minerais. Considera-se necessário que contenha um mínimo de 70% de NDT, um teor de 15 a19% de energia digestível ou ao redor de 18 a 22% de proteína bruta, segundo a idade do terneiro (a menor idade maior % de proteína), sem nitrogênio não protéico, mais o agregado de minerais que se considere necessário para o campo. É fundamental que seja uma ração de alta palatabilidade, para induzir o terneiro a consumir-la desde idade precoce.
O tipo de ração dependerá dos alimentos disponíveis na propriedade, ou os que sejam convenientes adquirirem economicamente. Pode-se empregar milho, sorgo moído, ou outros grãos como cevada, aveia, associado a suplementos protéicos como farinhas protéicas, torta de oleaginosas, ou diretamente empregar alimentos balanceados comerciais que cumpram com os requerimentos de NDT e proteínas. É fundamental que o suplemento seja de alta palatabilidade e aroma, para estimular uma rápida aceitação.
CONSUMO E CONVERSAO
No seguinte quadro se pode observar um exemplo de consumo mensal e diário de suplemento expressado em matéria seca.
Idade em meses |
Consumo |
Kg/MS/día |
Kg/Ms/mes |
Kg/Ms/acumulados |
|
|
1 - 2 |
0,220 |
7 |
7 |
2 - 3 |
0,680 |
20 |
27 |
3 - 4 |
1,100 |
34 |
61 |
4 - 5 |
1,580 |
47 |
108 |
5 - 6 |
2,250 |
70 |
178 |
6 - 7 |
2,900 |
85 |
263 |
7 - 8 |
3,800 |
115 |
378 |
8 - 9 |
5,000 |
150 |
528 |
Consumo de suplemento do nascimento aos 9 meses de idade em terneiros ao pé da mãe (Adapt. Do Serv. De Ext. Agric. De Texas, 1970).
Segundo se observa no quadro, o consumo de ração nos seis primeiros meses são aproximadamente 15% do que se acumula nos três meses subseqüentes. Este fato nos indica a necessidade de começar a suplementação ao pé da mãe desde as primeiras semanas de idade, de maneira a poder antecipar o desmame e economizar suplemento.
Zubizarreta et al(1970), no CREA San Eduardo-Maggiolo encontraram numa experiência de 94 dias, que o aumento dos terneiros suplementados sobre os testemunhas foi de 12,2 Kg, com um consumo diário médio de 1,8 Kg de ração e, uma conversão de 14/1.
Zubizarreta et al(1974) obtiveram uma conversão de 3,53 Kg de ração por Kg de terneiro extra e, um efeito da interação vaca/terneiro que se reflexo em 43 Kg mais de peso ao desmame nas vacas do lote tratado. Neste trabalho o consumo médio de ração foi insignificante (2 Kg/terneiro) até os 60 dias, duplicando-se logo cada 28 dias até alcançar os 99 Kg aos 203 dias de idade media dos terneiros.
Em nosso país e, no estrangeiro, tem-se encontrado que o suplemento utilizado por Kg de terneiro adicional não é constante, variando desde 3 até 20 Kg de alimentos por Kg de terneiro extra, de acordo a qualidade do alimento, época de parição,raça da mãe e do terneiro, estado da pastagem, carga animal e clima. Portanto não é possível dar cifras exatas do consumo e da relação Kg ração/ganho extra, como tampouco do ganho extra do peso das mães.
Com oferta / qualidade forrageira limitada o efeito de substituição é menor e se obtém melhores conversões alimentarias. Com abundante pasto de qualidade e com vacas que produzem muito leite, existe uma baixa resposta individual dos terneiros por um alto efeito de substituição da forragem pelo concentrado.
Se depois do desmame do terneiro suplementado ao pé da mãe este ingressa a uma recria com certa restrição alimentar, parte de seus ganhos diferenciais se perdem devido a que com baixos níveis de alimentação o efeito compensatório dos terneiros sem suplementação reduz as diferenças iniciais.
FORMA DE ADMINISTRAÇAO
Para realizar a alimentação ao pé da mãe, se constrói uma pequena mangueira deixando aberturas onde se coloca um travessão de 0,8 a 1 m do solo, de tal forma que possam entrar os terneiros e não as vacas e touros. Se deve instalar dentro do potreiro em que pastoreiam as vacas, pero do local de concentração dos animais como aguada, sombra. Em mangueiras que já existam se pode retirar 3 ou 5 fios superiores de acordo com sua separação.
Não é aconselhável utilizar cercas elétricas, pois podem causar refugo por parte dos terneiros.
Os comedouros devem ser colocados a 50 cm do solo e, se calcula um metro do lado do comedouro para cada 10 terneiros a suplementar.
A administração deve ser diária, retirando o excedente que esta umedecido ou molhado. Ao principio convém colocar pouca quantidade de suplemento, não mais que 100 gr por terneiro na primeira semana, e ir aumentando a quantidade a medida que o consumo se torna efetivo. Em nenhum momento deve faltar suplemento.
Nos comedouros Tolva não colocar mais alimento do que vai consumir em uma semana.
Os terneiros podem ser reticentes a entrar a mangueira para comer, para acostumá-los a comer se encerra junto alguma vaca acostumada a consumir ração, junto com alguns terneiros, até que estes comecem a consumir o alimento. Também se pode colocar sobre a ração açúcar, melaço ou sal durante os primeiros dias para atrair o terneiro.
Para que as vacas se aproximem da mangueira junto aos terneiros se podem esparramar algo de ração em torno da mangueira. As vacas permanecem um tempo cheirando e tratando de comer a ração e os terneiros irão entrar sozinhos a mangueira. Com o mesmo fim se pode colocar o saleiro próximo a mangueira e, se necessário colocar fenos com a finalidade de estimular a concentração dos animais neste espaço.
Não se devem introduzir alterações bruscas na ração, especialmente se há uma alteração de palatabilidade, por exemplo, a troca de milho por sorgo, os animais podem deixar de comer por alguns dias, a troca deve ser feita de forma gradual.
PASTOREIO DIFERENCIAL DO TERNEIRO AO PÉ DA MAE
O objetivo do pastoreio diferencial do terneiro ao pé da mãe ou Creep-Grazing é maximizar o consumo de matéria seca digestível por parte dos terneiros, brindando-lhes acesso a forragem mais abundante e de melhor qualidade que a oferecida as vacas. É imprescindível que a forragem diferencial seja de melhor qualidade que a forragem base, acessível e que resulte atrativa para os terneiros, sendo necessário manter-la em sua etapa de crescimento vegetativo com bastante folha e em estado reprodutivo imaturo. Ao não ter a competição das mães pelo pasto os terneiros podem pastorear de forma seletiva, aumentando o consumo de matéria seca digestível, e, conseqüentemente os ganhos de peso.
Os maiores benefícios deste sistema são obtidos depois que os terneiros tem 3-4 meses de idade, momento em que a produção de leite declina e os requerimentos dos terneiros aumentam.
Existem vários métodos para realizar o pastoreio diferencial:
- Cercar uma ou mais zonas dentro do campo e instalar uma entrada que permita somente o acesso do terneiro.
- Utilizar uma pastagem adjacente ao potreiro, colocando na cerca divisória passagem somente aos terneiros.
- Quando se emprega pastoreio rotativo, se coloca o fio elétrico a uma altura que não permita a passagem das vacas mas suficientemente alto que permita a passagem dos terneiros. Isto permite que as crias passem as parcelas sem pastorear, podendo consumir forragem de melhor qualidade
A direita as vacas com suas crias em uma parcela de quarto dia de pastoreio, a cerca elétrica alta permite a passagem dos terneiros a parcela seguinte.
Comparando a suplementação ao pé da mãe com o pastoreio diferencial, este ultimo sistema reduz os custos e os requerimentos de Mao de obra.
Fonte: Sitio de La Producción Animal.
|